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Revisando Contabilidade de Custos

Em síntese, a Contabilidade de Custos nasceu da Contabilidade Financeira, quando surgiu a necessidade de se avaliar estoques em empresas industriais. Os princípios básicos derivaram da finalidade de avaliar os estoques, mas com os devidos ajustes aos dias atuais. A Contabilidade de Custos se tornou um importante aliado ao controle e decisão, o que ainda está em processo de aprimoramento contínuo.

Contabilizando Custos - Contabilidade de Custos

Devido à sua fase embrionária ter se dado após a Revolução Industrial, percebe-se que a Contabilidade de custos teve seu desenvolvimento voltado à sua aplicação nas empresas industriais. Dessa forma, a sua aplicabilidade nas prestadoras de serviços, assim como em outros setores foi inicialmente prejudicada. Porém, a aplicação da Contabilidade de custos no setor de serviços vem crescendo significativamente, visto que esse é o setor que mais cresce atualmente na economia mundial. O constante aumento da concorrência e uma clientela cada vez mais exigente fizeram com que as informações relacionadas a custos se tornassem de suma importância no processo de gestão dessas empresas[1].

    Mas, como em concurso e prova do CFC (exame do CFC) cobram o conhecimento de Custos Industriais, foquemos nessa parte.
    Segundo Crepaldi, Silvio Aparecido (2018, p.3), a Contabilidade de Custos é uma técnica utilizada para identificar, mensurar e informar os custos doprodutos e / ou serviços. Tem a função de gerar informações precisas e rápidas para a administração, para a tomada de decisão. É voltada para a análise de gastos da entidade no decorrer de suas operações. Planeja, classifica, aloca, acumula, organiza, registra, analisa, interpreta e relata os custos dos produtos fabricados e vendidos. Uma organização necessita ter uma Contabilidade de Custos bem estruturada para acompanhar e atingir seus objetivos em um mercado dinâmico e globalizado.[2]

Conhecendo os termos utilizados na Contabilidade de Custos:

    Desembolso: ocorre quando as saídas financeiras se efetivarem, não necessariamente no momento exato do gasto, pois há a possibilidade do pagamento a prazo. Lembra-se do Princípio da Competência.

Tabela 1- Conceitos dos Termos de Custos 

Diferença entre Custos e Despesas

É comum haver uma confusão na distinção entre o que é custo e o que é despesa, sendo que ambos são tipos de gastos. Mas vamos tentar fixar o conceito de cada uma, pq praticamente todas as questões de custos cobram a diferenciação delas. 

Tabela 2 - Custos X Despesas 

Por exemplo, imaginemos que uma empresa funcione em um prédio de três andares, da seguinte forma: no primeiro andar funciona a área de vendas, no segundo andar a área administrativa e no terceiro andar temos a fábrica (a área de produção propriamente dita). Os gastos do primeiro e do segundo andar serão classificados como despesas, e os gastos do terceiro andar serão classificados como custos. Então, visando tornar ainda mais claro, vamos visualizar da seguinte forma: nos três andares há gastos com energia elétrica, salário, dentre outros gastos. Como classificar tais gastos? Os gastos de energia elétrica do primeiro e segundo andar serão classificados como despesas, pois se trata de gastos das áreas administrativa se de vendas. Enquanto que os gastos com energia elétrica do terceiro andar, por se tratar da fábrica, serão classificados como custos.

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Uma pausa para falarmos sobre Matéria-Prima!

Esse insumo apresenta uma particularidade quanto à classificação, visto que, dependendo do estágio, ela pode receber 3 classificações diversas:

Tabela 3 - Classificações p/ MP

Obs.: quando a matéria-prima já está incorporada ao produto acabado e esse está em estoque, aguardando a sua venda, a matéria-prima volta a ser ativada, em virtude de estar como componente do produto em estoque, voltando a ser um investimento.
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Vamos exercer a FE (Fazer Exercícios).


Gabarito: Investimento, Custo ou Despesa, Custo ou Despesa, Custo ou Despesa, Despesa, Investimento, Custo ou Despesa, Custo ou Despesa, Despesa, Custo.
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Classificações dos Custos

Os Custos podem ser classificados de acordo com:  

-> A forma de Apropriação aos Produtos/Serviços: Custos Diretos (CD) e Custos Indiretos (CI);
-> Ou quanto ao Volume de Produção: Custos Fixos (CF); Custos Variáveis (CV) 

Obs.: Existem os Custos Semivariáveis ou Semifluxos (Custos Mistos) que são aqueles que variam com o nível de produção, mantendo, entretanto, uma parcela fixa mesmo que nada seja produzido. Ex.: Aluguel de máquina copiadora, Energia Elétrica da fábrica. 
Mas não abordaremos por não costuma cair em questões de concurso nem do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

                                Tabela 4 - Tipos de Custos
                                                                          
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Importante!
Custo Fixo é diferente de Custo Recorrente. E com certeza a troca desses conceitos vai cair na sua prova!
Conforme Martins, Eliseu (2018, p. 50), essa observação é de extrema importância na prática para não se confundir Custo Fixo com custo recorrente (aquele que é repetitivo)[3]. Por exemplo, se a empresa adota um sistema de depreciação com base em quotas decrescentes e com isso atribui, para cada período, um valor diferente desse custo, continua tendo na  depreciação  um  Custo  Fixo,  mesmo  que  a  cada  período  ele  seja  de um montante  diferente. Também, se o aluguel é reajustado mensalmente em função de qualquer índice e nunca é igual em dois períodos subsequentes, não deixa de ser um Custo Fixo, já que, em cada período, seu valor é definido e independe do volume produzido[3].
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Outros Tipos de Custos

Princípios Contábeis

    Representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade que são úteis, objetivas e praticáveis e permite fixar padrões de comparabilidade e credibilidade.


Apuração dos Custos com Materiais Diretos e Indiretos.

Custos Diretos com fabricação - CD
    Segundo o Pronunciamento CPC 16 (R1) e a norma NBC TG 16, o custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços[4]. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição.    
A fórmula utilizada para a obtenção do custo do material é:
Material consumido = Ei + C – Ef
Onde:
Ei = Estoque Inicial
C = Compras
Ef = Estoque Final.
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Vamos exercer a FE (Fazer Exercícios).

Qual é o Valor do Material Consumido?

Resolução: O custo da matéria-prima será determinado através da fórmula:
MP (custo) = Ei + Compras – Ef
MP = 5000 + 12000 – 7000
MP = R$ 10.000,00
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    Tendo em vista que a empresa efetua várias compras em períodos e preços diversos, as unidades adquiridas acabam sendo estocadas juntas no almoxarifado. No intuito de se atribuir custo as unidades consumidas, assim como na Contabilidade financeira, usam-se o Sistema de Inventário Permanente e Periódico e os Métodos de Avaliação de Estoques:

        - PEPS (1º a entrar, 1º a sair);
        - Custo Médio;
        - UEPS (último a entrar, 1º a sair)
    
    Conforme Silvio Crepaldi, as mercadorias, as matérias-primas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição; os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção; e o valor dos bens existentes no encerramento do período-base poderá ser avaliado pelo custo médio ou das últimas aquisições[5]
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Vamos exercer a FE (Fazer Exercícios).

- Estoques: valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor;
- O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais;

Resolução:
- Valor da Mercadoria -------------------------- 18.000,00
- ( - ) ICMS sobre compra (recuperável) --- (2.000,00)
- ( - ) Abatimento ---------------------------------(1.000,00)
- Gastos com transporte da mercadoria ---- 1.400,00
- ( - ) ICMS s/ frete (recuperável)------------ (200,00)
TOTAL: R$ 16.200,00

Obs.: O frete sobre compras, quando o ônus de seu pagamento cabe à empresa compradora, deve ser incluído no custo do estoque das mercadorias adquiridas;
- Verifica-se a utilização dos métodos de avaliação de estoques de forma conjunta pelas empresas, sendo, atualmente, uma necessidade recorrente, tendo em vista as diferentes estratégias para abordagem e resolução de problemas.
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Inventário Periódico X Inventário Permanente

Métodos de Avaliação de Estoques - PEPS/CM/UEPS

Resolução do Exemplo

Custos Indiretos de Fabricação - CIF´s

    Acabamos de falar na apuração dos Custos Diretos (inventário permanente ou periódico), agora vamos ver como podemos apurar os Custos Indiretos (CI). São aqueles que não permitem que haja uma alocação através de uma medida objetiva e por isso acabam sendo realizadas através de estimativas, rateios e a soma dos Custos Indiretos chamamos de Custo Indireto de Fabricação - CIF´s. 

    A aplicação de uma metodologia de rateio deve ser de forma uniforme, pois a mudança de um critério de rateio afeta o custo de produção e consequentemente afetará o resultado da empresa. Para a alocação dos custos indiretos aos produtos, deve-se atribuí-los aos centros de custos. Centro de custo em uma empresa é cada segmento principal, com relativa autonomia financeira. Representam a menor unidade de acumulação de custos dentro da empresa. O conjunto de todos os centros de custos representa a empresa completa.

Exemplo: aluguéis, seguros contratados, energia elétrica, depreciação, materiais indiretos e mão de obra indireta.

Outros critérios de Rateio mais utilizados pelas empresas

Departamentalização

    Sistema de atribuição de custos indiretos aos produtos por meio de departamentos que vem a ser a menor unidade administrativa da empresa industrial, composta por homens e bens, capaz de realizar tarefas homogêneas. Com o fim de realizar as suas tarefas, os departamentos incorrem em gastos que, dependendo de sua natureza, serão classificados como despesas ou custos.

    Departamentos das áreas administrativa e financeira: cobrança, contas a pagar, contas a receber, transporte;
    Departamentos da área comercial: compra, faturamento, marketing;
    Departamentos da área de produção: acabamento, almoxarifado, controle de qualidade, costura, oficina elétrica, refeitório.
Os Departamentos podem ser divididos em dois grupos:
    a) de produção (Produtivos): os custos são apropriados diretamente aos produtos que passam por eles. Os custos indiretos serão atribuídos aos produtos por meio de estimativas. São exemplos: Corte, Pintura, Perfuração, Montagem, outros;
    b) de Serviços (auxiliares ou departamentos de apoio) não atuam diretamente na produção e sua finalidade é de prestar serviços aos Departamentos de Produção e para o restante da empresa. Seus
custos não são apropriados diretamente aos produtos, pois estes não transitam por eles, mas são transferidos para os Departamentos de Produção, que se beneficiam dos serviços deles. São exemplos:
Manutenção, Almoxarifado, Administração Geral da Fábrica, Limpeza, Expedição, Controle de Qualidade. Conforme, Osni Moura, os custos gerados nos departamentos de serviços são todos indiretos, e a melhor maneira de rateá-los aos produtos é por meio da departamentalização[6].
    A sequência a ser seguida visando a distribuição dos custos através da departamentalização é:
        1º Separação entre custos e despesas;
        2º Apropriação dos custos diretos diretamente aos produtos;
        3º Apropriação dos custos indiretos que pertencem aos departamentos;
        4º Rateio dos custos indiretos aos departamentos, quer de produção, quer de serviços;
        5º Escolha da forma de rateio dos custos acumulados nos departamentos de serviços e suas distribuição aos demais departamentos;
        6º Atribuição dos custos indiretos, que já estão acumulados apenas nos departamentos de produção aos produtos;
        7º Apuração dos custos de produção por produto.
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Vamos exercer a FE (Fazer Exercícios)

A indústria Doces Sonhos fabrica dois produtos. Em certo mês, o departamento de produção enviou os seguintes dados da produção para a contabilidade. A partir dos dados elencados, determine os custos unitários dos produtos X e Z, sabendo que a empresa distribui seus custos indiretos de fabricação de acordo com as unidades produzidas:

Resolução:
1º determinar qual o percentual de apropriação dos CIF’s para cada produto. Considerando que a distribuição é realizada de acordo com as unidades produzidas, chegamos aos seguintes percentuais utilizando uma regra de três:

PRODUTO X:                    PRODUTO Z:
1500 ----------- 100             1500 ----------- 100
1000 ------------ x                 500 ------------ x
X = 66,67%                          X = 33,33%

Assim, aplicando os percentuais sobre o montante de CIF’s a serem distribuídos, temos os seguintes valores para cada produto:
Após distribuir os CIF’s, efetuar o cálculo dos custos de cada
produto:

- PRODUTO X:
MP + MOD + CIF
8.000 + 6.000 + 10.000,50 = 24.000,50 (custo total) ÷ 1.000 unidades R$ 24,00/unidade

- PRODUTO Z:
MP + MOD + CIF
10.000 + 6.000 + 4.999,50 = 20.999,50 (custo total) ÷ 500 unidades R$ 42,00/unidade
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Principais Métodos de Custeio

        Os sistemas de custeios são as formas/modo pelo qual os custos são registrados e apropriados pela empresa. Refere-se à decisão de como deverá ser mensurado o custo dos produtos e/ou serviços. Desse modo, diante das possibilidades e funcionalidades, um sistema de custeio servirá como base para a tomada de decisões, através de suas mensurações e informações produzidas. A escolha pelo sistema de custeio, dependerá das características do processo produtivo existente na entidade. 

Vantagens: Coerência, atendimento às demandas gerenciais e custo x benefício. Extremamente importante para a vantagem competitiva empresarial.

Existem 2 métodos de Custeio básicos: Custeio por Absorção e Custeio Variável Direto. Mas tbm existem outros, tais como: Custeio Padrão, Marginal, Custeio ABC, RKW entre outros.

Como estamos revisando Custos para fazer prova de concurso e/ou fazer o exame de suficiência do CFC, abordaremos as características de 4 Métodos de Custeios, mas focaremos nos 3 que mais caem em prova.

Obs.: Margem de Contribuição é o que sobra da Receita obtida através da venda de um produto, serviço ou mercadoria após retirar o valor dos gastos variáveis, (custo variável e despesas variáveis). O resultado garantirá a cobertura do custo fixo e do lucro, após a empresa ter atingido o Ponto de Equilíbrio. A Margem de Contribuição indica de maneira imediata qual é a contribuição direta de cada produto/serviço aos resultados finais da empresa. Por identificar a Margem de Contribuição de cada produto, é possível saber a lucratividade de cada um.

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Vamos exercer a FE (Fazer Exercícios)

Considere as seguintes informações extraídas do controle interno da empresa Doces Sonhos, ocorridas no mês de setembro:
1) Foi iniciada e concluída durante o mês, a fabricação de 80 unidades do Produto X;
2) Matéria-prima, mão de obra direta e outros custos diretos no valor de R$ 30.000,00;
3) Os custos indiretos de fabricação foram no valor de R$ 8.000,00;
4) As despesas incorridas no período totalizaram R$ 10.000;00
5) Estoque inicial de produtos em elaboração = 0 (sem estoques);
6) Não ocorreram vendas no período.
Com base nos dados, serão determinados o custo de fabricação e o resultado do mês pelos 3 métodos de custeio: Variável/Direto, por Absorção e por RKW.

Lembrando...

Resolvendo...

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Margem de Contribuição - Custeio Direto
A Margem de Contribuição, alcançada através da aplicação do Método de Custeio direto, é livre das interferências subjetivas de qualquer critério de rateio dos custos fixos. Paulo Viceconti afirma que a Margem de Contribuição representa quanto a produção e a venda de uma unidade adicional de um
produto carreiam de recursos monetários para a empresa, para que essa possa amortizar seus fixos e obter lucro[7].
MC = Vendas - (Custos e Despesas Variáveis)

Para avaliar a Margem de Contribuição de cada produto/serviço é preciso identificar os custos variáveis, dentre os quais se podem citar: custo líquido das mercadorias (exceto os impostos recuperáveis), comissões de vendas, impostos não recuperáveis (SIMPLES, PIS, COFINS, IRPJ, Contribuição Social), fretes de venda. É a partir da Margem de Contribuição que se podem tomar decisões sobre quais produtos devem ser preservados, alterados ou eliminados, por exemplo.
O conceito de Margem de Contribuição permite a apresentação da DRE de uma forma diferente, possibilitando a verificação de informações gerencias. Conforme já havíamos elaborado antes, um modelo de DRE realizado com o conceito de Margem de Contribuição seria da seguinte forma:
Vendas
(-) Custo Variável
(=) Margem de Contribuição
(-) Custo Fixo
(=) Resultado Op. Líquido

Entretanto, observa-se que fatores alheios podem dificuldade a análise da lucratividade apresentada pela Margem de Contribuição. Um fator importantíssimo de análise é a limitação da capacidade produtiva. Ao surgir a necessidade de decisão entre dois produtos, não se deve apenas decidir por qual apresenta a maior Margem de Contribuição unitária. São necessárias outras variáveis para análise, principalmente quando houver limitação na capacidade produtiva da empresa. Desse modo, o conceito da Margem de Contribuição possibilita que se visualize de forma mais clara a potencialidade de cada produto, mostrando como cada um contribui para amortizar os custos fixos e gerar o lucro da empresa, estando livre de critérios de rateios.

Ponto de Equilíbrio - Custeio Direto 
Verifica-se o vínculo entre o conceito de Ponto de Equilíbrio e a relação de custo x volume x lucro. Silvio Crepaldi traz a relação de custo x volume x lucro vem a ser uma técnica que permite estudar os inter-relacionamentos entre custos, volume ou nível de atividades, e receitas para medir sua influência sobre o lucro. Relação íntima com o uso de sistemas de custos no auxílio de decisões de curto prazo,
característica do método de custeio variável[8]
Os sistemas de custos auxiliam à tomada de decisões, a previsão e o planejamento do lucro da empresa. Com isso, o conjunto de procedimentos, denominados análise de custo-volume-lucro, determina a influência no lucro provocada por alterações nas quantidades vendidas e nos custos. Decisões como fabricar ou comprar; iniciar a produção de novos produtos; qual o preço de venda ideal; quais gastos precisam e podem ser reduzidos e etc., podem ser subsidiadas através do estudo e análise da relação custo x volume x lucro. Nesse sentido, surge o conceito de Ponto de Equilíbrio (também denominado Ponto de Ruptura – Break-even Point) que, de acordo com Osni Ribeiro, é o estágio alcançado pela empresa no momento em que as receitas totais se igualam aos custos totais:
PE: RT = CT
Onde:
PE = Ponto de Equilíbrio
RT = Receitas Totais
CT = Custos Totais

RT = PVu x Q
Onde:
RT = receita total
PVu = preço de venda unitário
Q = quantidade
CT = (CVu x Q) + CF
Onde:
CT = Custo Total
CVu = custo variável unitário
Q = quantidade
CF = custo fixo

Fórmula do cálculo do Ponto de Equilíbrio:
PE = Custos + Despesas Fixas
MCu
No Ponto de Equilíbrio não há lucro ou prejuízo, ou seja, o volume de vendas é suficiente pra cobrir todos os custos e todas as despesas, é a situação de pleno equilíbrio. É ele que determina a quantidade de produtos que deve ser produzida (e vendida) para propiciar o resultado desejado pelos investidores. O equilíbrio, demonstrado pela quantidade de produtos, se faz por meio do lucro zero, ou do lucro desejado. Quando as vendas da empresa superam o estágio do Ponto de Equilíbrio, a empresa está obtendo lucros. A definição do PE visa definir qual o volume mínimo que a empresa deve produzir e vender para que seja possível cobrir, pelo menos, os seus custos e suas despesas totais. Observa-se que, apesar da receita auferida no Ponto de Equilíbrio ser suficiente para cobrir todos os custos e despesas,
essa não é a situação ideal para empresa, uma vez que ainda não há a geração de lucro. Desse modo, depreende-se que a situação econômica favorável para a empresa é aquela em que as receitas se encontram acima do Ponto de Equilíbrio.

Existem 3 tipos de Ponto de Equilíbrio: 
- Contábil: todos os custos e despesas relacionados com a atividade da empresa são considerados no cálculo.
Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)
PEC = CDFT
           MCu
Onde:
PEC = Ponto de Equilíbrio Contábil
CDFT = Custos e despesas fixos totais
MCu = Margem de Contribuição unitária.

- Econômico: inclui-se nos custos e despesas fixos, o custo de oportunidade ou o lucro esperado referente ao capital investido.
Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) 
PEE = (CF+CO) 
        MCu
PEE = Ponto de Equilíbrio Econômico
CF = Custo Fixo
CO = Custo de Oportunidade (ou a margem de lucro esperada)
MCu = Margem de Contribuição unitária.

- Financeiro: considera-se apenas os custos desembolsados que efetivamente onerem a empresa financeiramente.
Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) 
PEF = CDFT – CDNF 
MCu
Onde:
PEF = Ponto de equilíbrio financeiro;
CDFT = Custos e Despesas fixos totais;
CDNF = Custos e Despesas não financeiros.

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Vamos exercer a FE 

A Sociedade Doce Vida Ltda. fabrica um produto com preço de venda de R$ 10,00 por unidade. Os custos variáveis são R$ 8,00 por unidade e os custos fixos totalizam R$ 18.000,00 por ano, dos quais
R$ 4.000,00 são relativos à depreciação. O patrimônio líquido da empresa é de R$ 50.000,00 e a sua taxa mínima de atratividade é de 10% ao ano. Com base nos dados expostos, calcule o ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro:


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É isso pessoal!
        Tentei abordar o máximo de conceitos possíveis de Contabilidade de Custos, claro, os que mais caem nas provas de concurso e exame do CFC e tbm tentei resumi-los para ficar mais fácil o entendimento. Sei que contabilidade de custos não é fácil exatamente por conter diversos conceitos. Massss quanto mais a gente estuda e fixa, mais a gente entende e aprende.  
        Esse material foi baseado nos livros citados logo abaixo e também baseado em uma aula de Pós que eu fiz pela Estratégia com a Unyleya - prof Roberta Monteiro dos Santos. Eu que fiz os quadros de conceitos e os fiz com a intenção de facilitar o entendimento e a visualização de cada um. Os exercícios vieram do PDF da professora. 
         Qualquer dúvida ou questionamento, só comentar que eu procurarei respondê-los.

Att,
Silvia Carvalhêdo
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[1] Artigo: O ensino da Contabilidade de Custos voltado às empresas prestadoras de serviços nos cursos de Ciências Contábeis de Santa Catarinahttps://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/view/1456 . Acesso em 28.Jan 2021. Brasília.

[2] Livro: CREPALDI, S. Aparecido.; CREPALDI, G. Simões. Contabilidade de Custos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2018.

[3] Livro: MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 11 ed.São Paulo: Atlas, 2018.

[4] Norma: COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 16. São Paulo, 2009. 

[5] Livro: CREPALDI, S. Aparecido. Curso básico de contabilidade: atendendo às novas demandas gerencias. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2013.

[6] Livro: RIBEIRO, Osne Moura. Contabilidade Geral. 10ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

[7] Livro: VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Contabilidade de Custos – Um enfoque direto e objetivo. 12 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

[8] Livro: CREPALDI, S. Aparecido.; CREPALDI, G. Simões. Contabilidade de Custos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2018.

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